Não sou mais um trem desgovernado
Hoje eu perguntei a mim mesma o porquê de escrever, e a minha resposta foi: Só assim sou livre.
Lembrei da sensação de eternidade que isso me traz, do sabor doce que é poder beijar as nuvens mesmo estando com os pés fixos no chão.
Eu não posso mais deixar o tempo passar sem estar aproveitando cada segundo, eu preciso voar de novo. Só assim alcançarei o céu.
Já faz um ano desde as minhas últimas palavras, estou em silêncio, calaram a minha boca e os meus dedos. Eu não quero mais sentir medo, estou cansada. Eu quero enxergar o mundo com meus próprios olhos, em vez de apenas assistir vídeos ou imagens da internet. Eu preciso ser a protagonista da minha história, cansei de escrever a história dos outros, precisa ser sobre mim agora.
Eu sou um pássaro que foi por muitos anos engaiolado, ainda não sei bater completamente as minhas asas, eu aprendi a pairar no ar, mas quando perco força e preciso bater as asas novamente, eu falho e caio.
Eu sei, ainda vou crescer, vou me tornar águia, voar bem alto, acima das tempestades.
Sou imortal, invencível. É assim que me sinto quando escrevo. Eu tenho o mundo inteiro nas minhas mãos, eu posso ir, posso fazer o que quiser.
Fecho os olhos e estou assistindo a aurora boreal, ela é linda. O céu está cheio de estrelas, posso sentir o vento frio vindo das montanhas, mas não é inverno; É primavera. Ouço de longe o som que a floresta faz, os lobos uivam para a lua. Será que eles também estão admirando o azul-esverdeado do céu?
Eu me tornei adulta e cometi o erro que eu sempre prometi a mim mesma nunca cometer, eu esqueci.
Esqueci o que era ser criança, esqueci das coisas que realmente me faziam feliz, esqueci o que era amar de verdade, eu me tornei prisioneira da vida adulta, dos problemas, das preocupações, eu entrei tanto no papel que deixei de lado quem eu era, meus sonhos, meus desejos, mas principalmente o que eu mais amava fazer. Talvez eu não tenha sido adulta do jeito certo, preciso corrigir isso, HOJE, AGORA. Eu não posso mais esquecer, preciso relembrar, preciso lembrar que existem muitos detalhes para serem vistos sem ter pressa.
Hoje eu decidi estar de corpo, alma e espírito presente, agora.
Consigo sentir as vibrações da música, posso diferenciar uma nota de outra, sem interrompimento.
Eu sinto como se estivesse em cima de um edifício, sentada na beirada, mas não penso em cair, nem temo a queda, eu apenas observo tudo daqui, eu estou superior, tenho uma visão mais profunda e ampla.
Tentei me agarrar a coisas que pudessem me fazer sentir um arrepio no canto da nuca, sendo que tudo o que eu precisava fazer era sentar, fechar os olhos e aquietar a mente, deixando o vento fazer o resto.
Não quero mais ser trem desgovernado, quero ser apenas uma viajante, eu só quero ir caminhando.

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