Eu nem sempre sei do que
se tratam os dias e as noites, o frio e o calor, o amor e o ódio.
Pergunto-me se opostos
realmente podem caminhar juntos, e até hoje não tenho a resposta absoluta. Dizem
que às vezes ela se encontra logo abaixo da ponta do nariz, mas não sou a prova
viva disso.
Até agora tudo indica que um
necessita do outro para ganhar sentido. A vida é como uma montanha russa, no inicio ela começa de forma lenta, sobe até
o limite e quando chega lá despenca com tudo, sua velocidade aumenta constantemente. De repente dias, semanas, meses e anos se
passaram, e durante todo esse tempo, fizemos curvas cruciais, caímos mais umas centenas
de vezes, mas no fim nossos movimentos decrescem,
a diversão termina e chega o momento de nos despedirmos de tudo que ficou durante
as idas e vindas.
Talvez isso não faça tanto
sentido quanto parece, mas no meio dessas curvas e descidas, eu descobri que
existem coisas que não devem ser explicadas, apenas vividas. Algumas pessoas
vivem esquecendo-se do fato de que o relógio corre muito rápido, vivem de uma
maneira como se ele estivesse parado, e seu tempo fosse ilimitado. Pode parecer
errado querer viver pensando no dia da temida morte, mas acredite, é ela que traz o
sentido para querer viver. Porque quanto menos tempo temos, mais tempo queremos,
e se tivermos muito tempo, sem dúvida alguma esqueceríamos de aproveitar
cada milésimo de segundo da melhor forma possível.
Uma colega de serviço há
poucos dias atrás me disse que existem duas formas de enxergar as situações: Vendo
os recomeços com pesar ou então como oportunidades.
O mesmo serve para os dois
maiores opostos, se o fim não existisse, o inicio não ganharia um propósito. Por
isso a meta de todo o ser humano deveria ser aceitar o que não faz sentido,
porque o sentido está na capacidade que o doce
e o salgado têm de se encaixarem com
facilidade, e se tornarem tão necessários juntos.
Prefiro acreditar que sim,
os opostos se atraem, e como se atraem.
São como imãs.
Prefiro acreditar que o
amargo é a forma que a vida usou para nos dizer, que o adocicado vem logo em
seguida. Que por pior que seja o nosso contexto, sempre haverá um roteiro novo,
com novos personagens e cenários. Alguém sempre vai aparecer e ser o suporte
que necessitamos, mesmo que por um breve momento. Sempre seremos salvos.
Assim como a maioria dos sentimentos, o ódio significa apenas segundos da nossa vida, segundos de uma explosão que no fim nos serve como guia, para que consigamos enxergar pontos que haviam sido ignorados. Quando agimos de forma inconsciente provamos o sabor do arrependimento e por sorte descobrimos o perdão. É no dissipar da ira que nosso reflexo muda no espelho.
Nada é tão ruim quanto pareça.
Até mesmo o sol precisa descansar depois de cada show que ele faz no céu, principalmente
para que a lua e as estrelas tenham suas horas de glória.
O universo é a harmonia.
E nós somos o caos que a
tornou extinta e tão desejada.
A morte perguntou para a vida: — Porque todos amam você e me odeiam?
E a vida respondeu: — Porque eu sou uma linda mentira e você, uma verdade dolorosa.
Kanon.
