Qual é a sua anestesia?
Um baseado bem bolado passando de mão em mão?
Álcool nas noites de sexta?
Música alta?
Todo mundo tem medo, é normal sentir aquele frio na barriga, o coração acelerado, a sensação de não ter para onde ir e nem para onde voltar.
Estou andando pelas ruas da cidade, vejo tudo vazio, as pessoas estão com medo, estão com medo da morte iminente.
É compreensível senti-lo, as fases ruins vem e vão.
Vejo de longe alguns jovens sentados na praça da rua principal, estão em um grupo de cinco; três garotos e duas garotas. Fico me perguntando o que fazem ali, faz frio hoje.
Um dos garotos apanha do bolso um esqueiro junto de uma maço de cigarros, distribui um para cada. Percebo que seus olhos fecham quando tragam.
Do que será que estão fugindo?
Percebo dor em seus olhos.
É impossível esconde-lá pra sempre.
Eles estão rindo, muito.
Brincam de uma lado para o outro.
Mas de fato, isso não significa que essa seja a verdade.
O inverno está chegando, dou meia volta para casa.
Sigo em frente em passos curtos, guardo as mãos dentro dos bolsos da jaqueta, estão congelando.
A temperatura está agradável, o problema é o vento que vem cortando cada parte do corpo, ele se aproveita de qualquer brecha que encontra, um pequeno espaço entre o pescoço e a gola da blusa debaixo já é o bastante, logo se aloja dentro de nós, congelando tudo o que ainda restava quente.
Aumento a velocidade dos meus passos, até porque não quero acabar como aqueles jovens, não posso deixar o frio esfriar o sangue que ainda aquece minhas veias.
Tudo começa com uma pequena brisa gelada e gostosa.
E quando menos percebemos estamos congelados no meio do caminho, uma busca por qualquer coisa que transmita calor.
A sensação de precisar ser salvo é sufocante.
Você quer gritar, mas seus lábios estão colados.
Você quer erguer os braços, mas perdeu as forças.
Você quer sair correndo, mas suas pernas estão caídas no chão, nem parecem ser mais suas.
Entro pela porta de trás, já estava entreaberta.
Tento não fazer muito barulho.
Estendo o casaco em frente a lareira, adiciono mais algumas lenhas para alimentar o fogo. Sento-me na poltrona rente a brasa.
— Aqui está melhor, mais quente.
Adormeço ali mesmo.
