Tudo se perde
By Nubia Dotto - julho 05, 2018
Eu sei que nada nesse mundo é para sempre, sei que tudo
acaba um dia, e que tudo se perde também. E
quando não somos nós que perdemos alguma coisa, é porque a vida nos perdeu. Eu
sei que tudo é superável, sei que tudo passa, a dor acaba ou então é mascarada,
mas é sempre possível conviver com ela.
Aprendi que nem todo mundo que está perto, é realmente
amigo, que nem todos que gritam que nos amam, sabem o que isso significa,
aprendi que ás vezes não há outra escolha, a não ser, ser forte.
Mesmo que a angústia queime no estômago, mesmo que doa, é
preciso deixar ir quem não quer permanecer, porque todos nós precisamos de
certezas e não dúvidas.
Eu sei que ás vezes a vontade é de chorar, é de se jogar
no chão e desistir de tudo, é de dar adeus a todos, trancar a porta do quarto e
deixar o tempo passar lentamente, deixando-se ir junto com ele; mas então eu
aprendi que pedir ajuda não é fraqueza, querer um abraço não é carência, sentir-se
triste não é sinal de depressão, são apenas fases, fases onde se abandona o orgulho,
abandona-se a si mesmo, admitindo que sozinho nada seja possível.
Descobri que o pior suicídio não é a morte, é a desistência
da vida enquanto há vida.
Eu sei que é normal refazer dias na cabeça, tentando
imaginar como seria se certas atitudes não tivessem sido tomadas, o “e se” é um grande vilão, ele te põe
contra a parede, te enche de culpa e arrependimentos.
“E se eu
tivesse feito outra coisa, e se não
tivesse dito isso, tudo seria diferente”.
Mentira; não poderia ser de outro jeito, porque não há
nada que aconteça por acaso, tudo é da forma como deve ser, por isso é necessário
respirar o mais fundo possível, e aceitar a vida do jeito que é; aprendendo com
ela a forma certa de agir e reagir, para que o “e se” não venha existir.
Nós somos todos soldados.
Seguimos ordens, e buscamos sobreviver às guerras diárias.
O maior tiro que se pode dar em alguém é um beijo.
Nossa arma deve ser recarregada com as munições certas;
se te derem um tapa, dê um abraço.
Aprendi que quando o ódio toma a liderança da guerra, ela
já está perdida.
Eu descobri que é impossível odiar a quem se ama, pois
onde há amor não há espaço para sentimentos menores.
Eu sei que perdoar ás vezes é a coisa mais difícil do
mundo, que dar uma segunda chance é quase impossível, mas não há nada e nem
ninguém nessa vida que não esteja sujeito a errar, então afinal, quem somos nós
para nega-los?
Agora sei que não existem inimigos, além de nós mesmos;
somos nossas próprias doenças.
Sei que não se força ninguém a ficar, se dá motivos para
que ele queira isso.
Aprendi que é necessária a fraqueza para que a força
venha, e que depois de muita chuva, o sol volta a raiar, o inverno chega ao
fim, e o sofrimento perde o sentido.
Um dia alguém chega e "permanece", mesmo que isso
signifique perder de novo a qualquer momento, isso nunca vai mudar, a permanência é só questão de tempo, pois o que realmente fica são as lembranças.
Tudo um dia acaba com ou sem o "e se", e quando não somos nós que perdemos alguma coisa, é porque a vida nos
perdeu.
E no final descobrimos que o segredo é viver o agora, se
preparando para o que vem depois da curva, e é isso que a dor faz, ela te
ensina a reagir na hora da queda.
"Perca tudo, menos a si".
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