Festa de máscaras
By Nubia Dotto - setembro 04, 2017
A música estava retumbante, um globo enorme com luzes
coloridas girava no teto do salão.
Logo na entrada, um baseado passava de mão em mão entre
alguns garotos mais velhos.
— David! — Gritou minha amiga Nora vindo em minha
direção. — Você por aqui?
— Pois é. Decidi sair um pouco. — Respondi com um
arrependimento me corroendo.
— E o que está achando? — Ela falava gritando; o
som dificultava a conversa.
— Bom... — Falei em tom quase nada audível.
Por alguns segundos o tempo passou em câmera
lenta.
Meu melhor amigo Kyle estava lá; aparentemente
com uma nova namorada. Ela perseguia-o sem que ele a desse atenção; as garotas
dançando ao lado pareciam mais interessantes para ele. Todas com minúsculos
vestidos que deixavam seu corpo sufocando por debaixo do tecido.
Ele era um cara legal, um bom amigo. No entanto;
um péssimo namorado.
O cabelo escuro, olhos azuis e um bom físico, tornavam-no um dos caras mais disputados entre as meninas.
Se pelo menos elas soubessem quem ele era de
verdade, com certeza, não estariam como cadelinhas no cio esperando que
ele as notassem.
Não tinha uma só pessoa que não segurasse um copo neon com whisky ou qualquer outra bebida. Todos estavam sem consciência de seus
atos, apenas pulavam e dançavam conforme o ritmo os levava.
Um leve esbarrão me faz focar em Nora novamente.
— Desculpa ai — Um cara alto cheirando a vodka
gritou ao meu lado.
Dou um sorriso de canto, tudo bem.
— David? — Era Nora.
— Ah... Estou gostando. — Minto.
De um indie para pop/rock, Something Just Like This do
The Chainskmokers é a música mais contagiante da noite.
As batidas ora
agitadas, ora lentas me causavam uma breve excitação.
Por um instante todos
estavam de olhos fechados, como se pudessem sentir a letra tocando por dentro; algo se manifestando, ignorando quem estava ao redor.
Tudo que eles eram ou faziam fora dali não importava; naquela noite se transformavam em quem quisessem.
Os minutos eram
insignificantes, o amanha não tinha importância.
Só o momento bastava.
Um casal bêbado cruzou ao meu lado, eles corriam para o banheiro; a cada três passos, trocavam beijos e amassos no
meio do caminho, a pressa era tanto que chegavam a se topar com outras pessoas.
O cheiro de cerveja
do ambiente embriagava ate quem estava sóbrio.
Uma nuvem de fumaça
vindo da rua transpassava a porta; eram as dezenas de cigarros acesos lá fora.
Aquele ar me causava
náusea.
O barulho já passara
a me irritar.
Mas o que eu ainda
fazia ali?
Parte de mim queria
sair correndo, enquanto outra parte fazia questão de ficar ali ate o fim da
festa.
Será que é isso que mantém
os outros jovens presos aqui? Essa sensação de ter que ficar ate o fim?
Com tantos livros
novos jogados na prateleira, criando pó a minha espera. E eu aqui... Embriagando-me com a
bebida e fumo dos outros.
Por que estão aqui?
Qual o verdadeiro significado de curtir?
Por que alguém entra
nesse circulo vicioso?
Festa+Bebida+Drogas+Música
arrebentando os ouvidos.
Do que estão fugindo?
De si mesmos ou da vida imperfeita?
Quantos sorrisos ali escondem uma angustia por trás?
Cheguei à conclusão
de que o foco daquela e de muitas noites, era forjar uma felicidade que não
existia; vestir uma máscara e passar o tempo assim... Atuando.
“É fácil reconhecer
quando alguém está fingindo ser algo que não é.
Seus olhos inquietos
reviram-se em sua face, sem conseguir fixar o olhar em um só ponto.
O medo de que
alguém derrube sua mascara o transtorna por dentro.
Para alguns é
difícil aceitar a vida do jeito que é, é mais simples se rodear de pessoas
superficiais, caminhando em direção ate onde os outros querem que você vá.
Às vezes, se
afundam tanto em suas fantasias que passam a se tornar as próprias.
Mas, como todos os
teatros da vida; uma hora a cortina fecha e o show acaba.”

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