A curta viagem chamada: VIDA
By Nubia Dotto - julho 25, 2017
— Última chamada para o embarque!
Uma voz é emitida dos auto-falantes do aeroporto.
Vários pequenos grupos de pessoas se dirigem até o portão B; algumas crianças correm à frente.
— Papai, papai. Vamos? — Meu filho Benjamin de 5 anos gritava enquanto me puxava pela manga do casaco.
Sem soltar uma palavra, faço que sim com a cabeça, dando um sorriso.
O cheiro de fritura da área de alimentação se misturava com os variados perfumes dos passageiros que ali cruzavam.
Era um odor enjoativo, peculiar — Ainda mais para quem estava sem comer à tempo.
Uma voz é emitida dos auto-falantes do aeroporto.
Vários pequenos grupos de pessoas se dirigem até o portão B; algumas crianças correm à frente.
— Papai, papai. Vamos? — Meu filho Benjamin de 5 anos gritava enquanto me puxava pela manga do casaco.
Sem soltar uma palavra, faço que sim com a cabeça, dando um sorriso.
O cheiro de fritura da área de alimentação se misturava com os variados perfumes dos passageiros que ali cruzavam.
Era um odor enjoativo, peculiar — Ainda mais para quem estava sem comer à tempo.
Sinto um leve empurrão, até ser ultrapassado por uma mulher que parecia estar com muita pressa.
— Desculpe — ela diz olhando para trás
Tinha ótima aparência, bem vestida, uma maquiagem que cobria grande parte dos traços e detalhes que compõem seu rosto.
Embora seus olhos dissessem bem ao contrário; eles estavam cansados, enojados da fila, do lugar, de ter que esperar e de todo o resto, um olhar insatisfeito com tudo.
A maioria daquelas pessoas disfarçavam suas imperfeições com artificialidades, tornando-as iguais.
Olho para o relógio no meu pulso, já são quase 17:00 horas, nosso vôo sai as 17:05, precisamos ir.
Seguro firme na mão de Ben, enquanto me apresso, dando passos largos até o portão.
Suas perninhas eram curtas, o que dificultava minha velocidade; a cada passo que eu dava, ele retribuia com 2 e as vezes 3.
Seguro firme na mão de Ben, enquanto me apresso, dando passos largos até o portão.
Suas perninhas eram curtas, o que dificultava minha velocidade; a cada passo que eu dava, ele retribuia com 2 e as vezes 3.
As luzes do corredor da primeira classe estavam acessas.
Meu assento permanecia vazio, até que me sentei, rente à janela.
Um homem estranho, com barba comprida e olhos escuros, se acentou ao lado de Benjamin.
Em seguida indagou:
— Para onde estão indo garotinho?
— Para casa. — respondeu Ben, desviando o olhar em mim
— E onde está sua mãe?
— Ela morreu. — Ele fala com um olhar sereno.
O homem sem saber o que dizer, apenas sorri aflito.
— Está tudo bem. Deus está cuidando dela — ele concluí sua fala.
De forma amigável, o homem muda de assunto:
— Me chamo Bernardo, e você ?
— Benjamin
— Prazer Benjamin. — Seus olhos me fitam por alguns segundos
Meu assento permanecia vazio, até que me sentei, rente à janela.
Um homem estranho, com barba comprida e olhos escuros, se acentou ao lado de Benjamin.
Em seguida indagou:
— Para onde estão indo garotinho?
— Para casa. — respondeu Ben, desviando o olhar em mim
— E onde está sua mãe?
— Ela morreu. — Ele fala com um olhar sereno.
O homem sem saber o que dizer, apenas sorri aflito.
— Está tudo bem. Deus está cuidando dela — ele concluí sua fala.
De forma amigável, o homem muda de assunto:
— Me chamo Bernardo, e você ?
— Benjamin
— Prazer Benjamin. — Seus olhos me fitam por alguns segundos
Assim que a porta se fecha, a aeromoça estabelece as instruções de segurança:
— Em caso de despressurização máscaras individuais de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma delas para liberar o fluxo, coloque sobre o nariz e a boca, ajuste o elástico e respire normalmente, auxilie crianças ou pessoas com dificuldade somente após ter fixado a sua.
— Em caso de despressurização máscaras individuais de oxigênio cairão automaticamente. Puxe uma delas para liberar o fluxo, coloque sobre o nariz e a boca, ajuste o elástico e respire normalmente, auxilie crianças ou pessoas com dificuldade somente após ter fixado a sua.
Ouço um estrondo; são as turbinas do avião sendo ligadas. O barulho contínuo significava que a partir dali ninguém mais teria escolha, a não ser permanecer sentado até que o vôo acabasse.
Através daquela janela tudo que era grande acabara de se tornar minúsculo, somos a parte pequena desse mundo imenso. — Penso
— Deseja alguma coisa? — perguntou a comissária de bordo sempre educada
— Doces — gritou meu filho
— Teria alguns docinhos para interter ele durante a viagem? — indaguei
— Claro — Ela responde já os entregando
— Obrigado!
— Doces — gritou meu filho
— Teria alguns docinhos para interter ele durante a viagem? — indaguei
— Claro — Ela responde já os entregando
— Obrigado!
Tento relaxar um pouco, deitando a cabeça para trás.
Logo que fecho os olhos, suas feições me vem à mente; seu sorriso encantador, sua voz delicada e gostosa de ouvir, seu cheiro que sempre me lembrava um enorme campo de jasmins.
Sinto tanto sua falta.
Abro os olhos; as luzes queimam de leve minhas retinas. Demoro uns minutos até me acostumar novamente com a claridade.
O sol já está se pondo, colorindo o céu limpo com um alaranjado. O fato de não haver nuvens tornava possível enxergar o brilho de algumas estrelas, que surgiam conforme escurecia.
O sol já está se pondo, colorindo o céu limpo com um alaranjado. O fato de não haver nuvens tornava possível enxergar o brilho de algumas estrelas, que surgiam conforme escurecia.
Era lindo, semelhante a um gigantesco quadro pintado à mão.
Analiso as diversas formas e texturas proporcionadas ali.
As pessoas procuram perfeição onde não existe e acabam esquecendo do que já é perfeito. A vida é como uma curta viagem de avião, quando você está no alto é preciso aproveitar cada segundo dela, porque um dia ela acaba.
— Queria que visse isso querida — murmuro baixinho
Lembro do seu sorriso quando viajavamos, sempre hipnotizada pelo fascínio de voar; voar sem ter asas.
Lembro do seu sorriso quando viajavamos, sempre hipnotizada pelo fascínio de voar; voar sem ter asas.
Após algumas horas, centenas de luzinhas coloridas iluminavam a pista la em baixo.
Estava na hora de aterrizar.
Estava na hora de começar de novo.
Um novo dia.
Uma nova oportunidade.
Estava na hora de permitir que outros passageiros sentassem nessa poltrona e por sorte, terem o mesmo privilégio de ver o que eu vi.
Estava na hora de aterrizar.
Estava na hora de começar de novo.
Um novo dia.
Uma nova oportunidade.
Estava na hora de permitir que outros passageiros sentassem nessa poltrona e por sorte, terem o mesmo privilégio de ver o que eu vi.
"Somos passageiros o tempo inteiro, tanto na vida um do outro, como na nossa própria."
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